Nota biografica

A artista, desde cedo, revelou um olhar atento e sensível ao que a rodeia, desenvolvendo uma prática criativa profundamente ligada ao ambiente e às emoções.
O seu trabalho desenvolve-se sobretudo na pintura, centrando-se nas paisagens e nos retratos femininos, através dos quais investiga a relação entre memória, emoção e linguagem visual, num território entre o real e o imaginário.
As paisagens naturais observadas durante frequentes viagens ao longo da sua infância tornaram-se uma das suas principais fontes de inspiração. São memórias visuais que a artista guarda e reinventa, dando origem a composições que não correspondem a lugares específicos, mas onde fragmentos de experiência e emoção se fundem num território entre o real e o imaginário.
Os retratos femininos constituem outra vertente do seu trabalho.
As mulheres retratadas não existem enquanto indivíduos reais, mas no que representam: emoções, estados de espírito e experiências universais. Estas obras são acompanhadas por notas poéticas escritas pela própria artista no verso de cada tela, prolongando a ligação entre obra e emoção.
Ao longo do seu percurso artístico, explorou diferentes linguagens, incluindo o desenho a lápis e carvão, a pintura a óleo e a escultura, tendo encontrado na pintura acrílica o seu meio de expressão mais consistente, no campo da arte semi-abstrata contemporânea.
Em paralelo, desenvolve trabalho em cerâmica fria, explorando a tridimensionalidade da forma. Em 2025, apresenta a coleção “Gesto e Forma”, centrada na relação entre gesto, volume e expressão.
A sua linguagem visual distingue-se pela materialidade das superfícies, pela sobreposição de texturas e por uma paleta que oscila entre tons intensos e delicados.
A atmosfera outonal, as névoas subtis e as referências ao nascer e ao pôr do sol são elementos recorrentes, reforçando a dimensão sensível e contemplativa do seu trabalho.
Os reflexos dourados surgem como marca constante, funcionando como ponto de tensão entre luz, memória e emoção, representando a ideia de que existe luz mesmo quando tudo parece querer apagar-se. As suas obras propõem uma leitura do mundo em que a experiência sensível se sobrepõe à representação literal, abrindo espaço à interpretação e ao silêncio de quem observa.
Sandra Duarte é associada da Artiset – Artistas Plásticos de Setúbal e do CAB – Círculo Artístico e Cultural Artur Bual, integrando o panorama artístico associativo nacional